Na Ilha das Caieiras, em Vitória (ES), um grupo de meninos costuma se encontrar no antigo deck para saltar e mergulhar nas águas da baía.
Não é difícil convencê-los a posar — entre um mergulho e outro, eles mesmos se oferecem para a câmera: um mortal de costas no ar, um equilíbrio improvável sobre as vigas, um polegar para cima no meio da espuma. Para quem visita a ilha, parar para assistir é quase obrigatório.
A câmera congela o que o olho não segura: o arco exato do mortal, os braços abertos em contrapeso, os pés no instante em que deixam a madeira. Suspensos entre a viga e a água, os corpos viram desenho — um momento plástico, quase coreográfico, em que a brincadeira se revela também gesto poético.
Registrada em preto e branco, a série acompanha esse ritual de fim de tarde, com as casas sobre palafitas e o Mestre Álvaro ao fundo: a infância ocupando, com liberdade e coragem, o mesmo lugar de onde partem os barcos de pesca.





Sobre Felipe Lube
O primeiro contato de Felipe Lube com a fotografia foi uma Polaroid OneStep, aos dez anos de idade. Mas foi em 2006, numa viagem de carro em busca das raízes da família em Mantena (MG), que ela virou caminho: o pai lhe deu uma velha Kodak point-and-shoot e, desde então, ele estuda e fotografa por conta própria.
Autodidata, já fotografou de quase tudo — paisagens, festas rave, retratos, nu artístico — até se fixar, nos últimos cinco anos, na fotografia de rua. Fotógrafo e pesquisador em História da Arte, foi finalista do Concurso de Fotografia da Rodosol, jurado do 3º Concurso de Fotografia da Ajustes (2015) e expôs na Mosaico Fotogaleria.
Desenvolvedor de software por profissão, fotografa por paixão. O preto e branco o atrai, mas só quando funciona com a foto — o congo, diz ele, só existe em cores. Para Felipe, fotografar é também um exercício de auto-observação: "Aprenda a ver as influências do subconsciente na seleção das suas fotos — o que você está sentindo e vivendo tem peso no que você fotografa."
Portfólio


















